Posteriorização do Côndilo Mandibular, Compressão do Tecido Retrodiscal e Anteriorização do Disco Articular como causa de Dor Neurológica. Recuperação da Relação Fisiológica da Cabeça da Mandíbula com o Disco Articular. Série de casos clínicos

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Nesta página foram apresentados alguns dos fundamentos neuromusculares fisiológicos do tratamento das patologias das articulações temporomandibulares, também foi apresentada a importância do diagnóstico diferencial e também o uso da bioinstrumentação como a eletromiografia de superfície e a cinesiografia computadorizada.

Foram apresentadas imagens de pacientes relatando as suas sintomatologias, também foram expostos diversos fatores etiológicos como traumatismos na primeira infância, especialmente a fratura em talo verde, recaptura dos discos intra-articulares em deslocamentos redutíveis, inter-relação entre as desordens craniomandibulares e a coluna vertebral.

Quando falamos em tratamento das patologias da ATM temos que entender que existem diferentes enfoques. A proposta de um tratamento paliativo é o tratamento sintomático,  isto é, um tratamento que procura bloquear os sintomas. Se dá através da administração de drogas, como analgésicos, anti-inflamatórios e mio relaxantes. O enfoque restaurativo é o tratamento que busca quando possível corrigir ou sarar o que está danificado. Para saber o que está errado, se faz necessário um diagnóstico diferencial. Este diagnóstico deve ser sempre elaborado anteriormente à proposta de tratamento.

1 FOTO INIC FRONTAL

Paciente de sexo feminino com  19 anos de idade se apresenta na clínica com queixas de dor de cabeça constante, dor de pescoço e inchaço no rosto, dor na nuca e enxaquecas.

De acordo com a anamnese preenchida pela própria paciente, na consulta inicial relata estalos na mandíbula, tontura, dor de ouvido e dor lombar.

A paciente relata também bruxismo e apertamento dentário noturno.

2 FOTO INICIAL PERFIL

A paciente refere também dor retro ocular do lado direito, dor em ambos os ombros, e dor na ATM (articulação temporomandibular direita).
A paciente relata estalos na ATM do lado direito, sensação de ouvido tapado sons estranhos e dor facial inespecífica.

A paciente alega dificuldade para abrir a boca e dificuldade na mastigação.

Relato resumido escrito pela paciente

Na metade do ano de 2014, fiz uma consulta rotineira em uma dentista para fazer limpeza nos dentes e relatei a ela estalos e dor na mandíbula, ela não deu atenção, disse que era algo normal e que logo passava.

Desde então comecei com fortes dores de cabeça, tontura, dor de ouvido, dor nas costas, nos pés (mais calcanhar), dor no olho também, e em dias de ‘’crises’’ de dores, meu olho direito mal abria e ficava com o lado direito do rosto todo inchado (tipo caxumba).

Após essa piora procuramos um especialista em ATM, que me deu uma placa de acrílico, fina e apenas para os dentes de cima.

Usei a placa por seis meses e depois disso voltaram a piorar todos os sintomas.

Procuramos então outro especialista, que fez a mesma placa de acrílico para os dentes de cima, mas em um tamanho bem diferente, era uma placa grossa.

No começo ajudou, após seis meses, todos os sintomas voltaram a aparecer mais fortes.

Consultamos uma nova especialista, que fez um novo tipo de aparelho, com os ferros e o acrílico na lateral azul (levei para te mostrar), foi o que mais tinha me ajudado, usando por 24 horas, melhorou nas dores, e até na tontura, mas após um ano de uso, voltei à estaca zero e com todas as dores ainda mais fortes, no entanto durante esse um ano de tratamento, apesar das melhoras não podia fazer nenhum tipo de esforço físico, por menor que fosse minha mandíbula inchava (academia, subir escada, pegar peso…)

Em março de 2017, já um ano e quatro meses de uso da placa,  a profissional disse que estava na hora de começar a “desmamar”, começar a deixar a placa e usar somente para dormir porque já deveria estar de alta, comentei que tinha piorado e ela insistiu que já tinha passado da hora de estar boa…

Foi então que procuramos outro especialista, este disse que a placa em uso não era adequada para o problema e fez uma nova placa de acrílico que julgava a correta para o problema apresentado, era fina e de acrílico, igual à primeira já usada, somente para os dentes de cima, de imediato comentei com a minha mãe e com ele que essa placa não resolveria, pois eu já tinha usado placa idêntica em tratamento anterior, insistiu dizendo que sim, essa era a correta.

Junto ao uso do aparelho fazia compressas quentes e choques de fisioterapia e também agulhamento, o que ajudou  na musculatura do pescoço que doía muito e estava tencionado, mas esse aparelho desde o começo não ajudou, as dores de cabeça que sentia todos os dias estavam piorando ainda mais, tive mais tonturas.

3 DENTES INIC PROT FRONTALOclusão habitual da paciente no dia da consulta.

6 OCLUSAIS INIC SEM PROTVista oclusal superior e inferior da paciente no dia da consulta.

7 PANORAMICA INICIALRadiografia panorâmica inicial da paciente antes do tratamento.

8 LAMINOGRAFIA INCIAL

Laminografia da ATM em oclusão habitual e com a boca aberta.

A laminografia das articulações temporomandibulares mostra uma modificação do eixo de crescimento dos côndilos mandibularres provocado por um traumatismo na primeira infância, (fratura em talo verde).

Importante retroposição das cabeças da mandíbula especialmente do lado esquerdo provocando uma importante compressão retrodiscal.

9 TELE PERFIL INICIALRadiografia lateral da paciente em oclusão habitual antes do tratamento.

10 C7 INICIALRadiografia lateral e da coluna cervical da paciente em oclusão habitual antes do tratamento. Nota-se a perda da lordose cervical, retificação da coluna cervical.

11 FRONTAL INICIALRadiografia frontal da paciente em oclusão habitual antes do tratamento.

12 eletromiog dinamica inicialRegistro eletromiográfico dinâmico da paciente em oclusão habitual.

É importante entender que a eletromiografia de superfície é uma ferramenta a mais no diagnóstico e não a única determinante, é uma ferramenta interessantíssima para poder controlar a evolução no nosso próprio paciente durante o transcurso do tratamento.

13 cortes sagitais da ATM ESQUERDA FECHADA ANTES DO TRAT

RNM: cortes sagitais T1 da ATM esquerda em boca fechada antes do tratamento. Existe um anteroversão do côndilo mandibular. As cabeças mandibulares estão retroposicionadas.

O disco articular encontra-se deslocado anteriormente, com redução nas manobras em boca aberta.

Importante  compressão retrodiscal. 

A ressonância nuclear magnética da paciente em oclusão habitualmostra a luxação anterior de ambos os discos articulares, retroposição das cabeças mandibulares e modificação do eixo de crescimento provocado por traumatismo na primeira infância.Structural modifications of the mandibular condylar process as one of the sequels of traumatism in infancy). A luxação é redutível (ressonância em boca aberta não incluída neste post).

14 cortes sagitais da ATM ESQUERDA FECHADA ANTES DO TRATRNM : cortes sagitais T1 da ATM esquerda em boca fechada antes do tratamento. Existe um anteroversão do côndilo mandibular. As cabeças mandibulares estão retroposicionadas.

O disco articular encontra-se deslocado anteriormente, com redução nas manobras em boca aberta.

Importante  compressão retrodiscal. 

15 cortes sagitais da ATM DIREITA FECHADA ANTES DO TRAT

RNM: cortes sagitais T1 da ATM direita em boca fechada antes do tratamento. Existe um anteroversão do côndilo mandibular. As cabeças mandibulares estão retroposicionadas.

O disco articular encontra-se deslocado anteriormente, com redução nas manobras em boca aberta.

Importante  compressão retrodiscal. 

16 cortes sagitais da ATM DIREITA FECHADA ANTES DO TRAT

RNM: cortes sagitais T1 da ATM direita em boca fechada antes do tratamento. Existe um anteroversão do côndilo mandibular. As cabeças mandibulares estão retroposicionadas.

O disco articular encontra-se deslocado anteriormente, com redução nas manobras em boca aberta.

Importante  compressão retrodiscal. 

17 RNM FRONTAIS INICIAIS DIR E ESQ-Recuperado

RNM: cortes frontais T1  das articulações temporomandibulares direita e esquerda, boca fechada em oclusão habitual antes do tratamento.

O corte frontal da articulação temporomandibular direita e a esquerda evidenciam uma severa perda de espaço articular. 

20 TOMOGRAFIAExame tomográfico das articulações temporo-mandibulares.

Cortes sagitais direitos e esquerdos em oclusão habitual antes do tratamento.21 TOMOGRAFIAExame tomográfico das articulações temporo-mandibulares.

Reconstrução multiplanar -ATM esquerda em oclusão habitual antes do tratamento.

Importante posteriorização da cabeça da mandíbula.

22 TOMOGRAFIAExame tomográfico das articulações temporo-mandibulares.

Reconstrução multiplanar -ATM direita em oclusão habitual antes do tratamento.

22a REGISTRO CINECIOGRAFICO INICIAL

Quando nossa proposta é um tratamento restaurativo, temos uma PRIMEIRA FASE onde o objetivo quando possível é de sarar a articulação. Às vezes só podemos melhora-la ou evitar que piore. Conhecer o que podemos tratar e o que não podemos tratar e as limitações de cada caso individual é muito importante.

Para avaliar corretamente a relação maxilo-mandibular devemos começar a considerar a posição fisiológica de repouso mandibular.

Repouso fisiológico é um conceito aplicável para todos os músculos do corpo.

A musculatura estomatognática não é exceção.

Os músculos mastigatórios da paciente foram desprogramados eletronicamente e uma nova posição neurofisiológica de repouso foi registrada.

A paciente apresenta um espaço livre patológico de 7,7 mm.

A paciente tambem apresentava 0, 6 mm de retroposição mandibular.

23 oclusao DIO

Oclusão do paciente com o DIO (dispositivo intraoral)

Com o registro obtido com o cineciógrafo computadorizado foi confeccionado um dispositivo intraoral (DIO) para reposicionar tridimensionalmente a mandíbula.

A posição NEUROMUSCULAR FISIOLÓGICA, foi gravada sob a forma de um registro de mordida oclusal, que mais tarde foi utilizado para fabricar um DIO ( dispositivo intraoral)

Na primeira fase os dispositivos intraorais, são recalibrados e ou trocados de acordo a cada caso específico à medida que a mandíbula, músculos e ATM melhorem.

24 COMPARATIVAS FRONTAIS POSTURAIS

Imagens posturais frontais comparativas.

A paciente foi derivada conjuntamente com o tratamento da patologia da ATM para uma equipe de fisioterapia na cidade donde ela reside. Junto com o reposicionamento mandibular é necessário o acondicionamento de todas as cadeias posturais.

Cada paciente precisa de uma derivação específica de acordo com o caso em particular.

25 eletromiog dinamica com DIORegistro eletromiográfico dinâmico da paciente com o DIO (dispositivo intraoral) em oclusão neuromuscular fisiológica.

26 CONTROLE DA ORTESE

Outro registro cineciográfico para controle do DIO ( dispositivo intraoral) em posição neuromuscular fisiológica à medida que o dispositivo é trocado ou recalibrado.

A paciente não relatou mais sintomatologia proveniente da ATM (articulação temporomandibular). Os registros eletromiográficos e cinesiográficos mostraram objetivamente a melhora da função neuromuscular.

Solicitei a segunda ressonancia nuclear magnética para avaliar objetivamente a relação fisiológica entre os côndilos mandibulares e o disco articular.

28 RNM Comparativas esquerda 1 sagital

RNM: Comparação do corte sagital T1 da ATM esquerda, boca fechada, antes do tratamento neuromuscular fisiológico,  e da mesma ATM esquerda, boca fechada, após A PRIMEIRA FASE do tratamento.

Recuperação da relação fisiológica da cabeça da mandíbula com o disco articular.

29 RNM Comparativas esquerda 2 sagital

RNM: Comparação do corte sagital T1 da ATM esquerda, boca fechada, antes do tratamento neuromuscular fisiológico,  e da mesma ATM esquerda, boca fechada, após A PRIMEIRA FASE do tratamento.

Recuperação da relação fisiológica da cabeça da mandíbula com o disco articular.

30 RNM Comparativas esquerda 2 sagital

RNM: Comparação do corte sagital T1 da ATM esquerda, boca fechada, antes do tratamento neuromuscular fisiológico,  e da mesma ATM esquerda, boca fechada, após A PRIMEIRA FASE do tratamento.

Recuperação da relação fisiológica da cabeça da mandíbula com o disco articular.

31 RNM Comparativas esquerda 2 sagital

RNM: Comparação do corte sagital T1 da ATM esquerda, boca fechada, antes do tratamento neuromuscular fisiológico,  e da mesma ATM esquerda, boca fechada, após A PRIMEIRA FASE do tratamento.

Recuperação da relação fisiológica da cabeça da mandíbula com o disco articular.

32 RNM Comparativas direia 2 sagital

RNM: Comparação do corte sagital T1 da ATM direita, boca fechada, antes do tratamento neuromuscular fisiológico,  e da mesma ATM direita, boca fechada, após A PRIMEIRA FASE do tratamento.

Recuperação da relação fisiológica da cabeça da mandíbula com o disco articular.

33 RNM Comparativas direia 2 sagital

RNM: Comparação do corte sagital T1 da ATM direita, boca fechada, antes do tratamento neuromuscular fisiológico,  e da mesma ATM direita, boca fechada, após A PRIMEIRA FASE do tratamento.

Recuperação da relação fisiológica da cabeça da mandíbula com o disco articular.

34 RNM Comparativas direia 2 sagital

RNM: Comparação do corte sagital T1 da ATM direita, boca fechada, antes do tratamento neuromuscular fisiológico,  e da mesma ATM direita, boca fechada, após A PRIMEIRA FASE do tratamento.

Recuperação da relação fisiológica da cabeça da mandíbula com o disco articular.

35 RNM Comparativas direia 2 sagital

RNM: Comparação do corte sagital T1 da ATM direita, boca fechada, antes do tratamento neuromuscular fisiológico,  e da mesma ATM direita, boca fechada, após a PRIMEIRA FASE do tratamento.

Recuperação da relação fisiológica da cabeça da mandíbula com o disco articular.

36 RNM Comparativas esquerda frontal

RNM: Comparação do corte FRONTAL T1 da ATM ESQUERDA, boca fechada, antes do tratamento neuromuscular fisiológico,  e da mesma ATM ESQUERDA corte FRONTAL T1 , boca fechada após a FINALIZAÇÃO DA PRIMEIRA FASE do tratamento.

Recuperação da relação fisiológica da cabeça da mandíbula com o disco articular.

37 RNM Comparativas direita frontal

RNM: Comparação do corte FRONTAL T1 da ATM direita, boca fechada, antes do tratamento neuromuscular fisiológico,  e da mesma ATM direita corte FRONTAL T1, boca fechada após a FINALIZAÇÃO DA PRIMEIRA FASE do tratamento.

Recuperação da relação fisiológica da cabeça da mandíbula com o disco articular.

36 panoramicas comparativasRadiografias panorâmicas comparativas da paciente antes do iniciar o tratamento e no início da segunda fase do tratamento. Neste momento também pode ser efetuada a remoção dos terceiros molares inclusos.

37 laminografias comparativas

Laminografias comparativas da paciente antes do iniciar o tratamento e no início da segunda fase do tratamento. Pode se observar a descompressão articular.

Laminografias e ou TOMOGRAFIAS COMPUTADORIZADAS, mesmo mostrando descompressão NÃO DEMOSTRAM a posição do disco articular. A posição do disco articular  e a presença ou não de edema ósseo do côndilo mandibular só pode ser avaliada com ressonância nuclear magnética.s O resultado ou não da recuperação da Relação Fisiológica da Cabeça da Mandíbula com o Disco Articular, pode ser avaliado com a comparação da ressonância magnética após a primeira fase  e a comparação com a ressonância magnética  inicial.

40 frontais comparativas

Radiografias frontais comparativas da paciente antes do iniciar o tratamento e no início da segunda fase do tratamento.

Quando a primeira fase é finalizada, verificamos se as imagens posteriores de controle correspondem as nossas metas fixadas no diagnóstico inicial. Sabemos que há casos em que podemos melhorar o quadro, e outros em que podemos evitar que piorem, e outros ainda em  que só poderemos tratar a dor.

A paciente não relatou mais sintomatologia proveniente da articulação temporomandibular. A RNM comparativa mostrou a Recuperação da relação fisiológica da cabeça da mandíbula com o disco articular.

Os registros eletromiográficos e cinesiográficos mostraram objetivamente a melhora da função neuromuscular.

No caso de resultados positivos da primeira fase podemos iniciar uma segunda fase de tratamento para retirar o dispositivo que é usado em forma permanente durante a primeira fase do tratamento. Para isto podemos realizar uma ortodontia tridimensional,  uma reabilitação neuromuscular fisiológica ou a combinação de ambas. Sempre mantendo a localização mandibular em equilíbrio com os planos musculares, articulação temporomandibular e planos dentários.

Foi decidido iniciar a SEGUNDA FASE do tratamento para retirar o DIO (dispositivo intraoral), mantendo a oclusão neuromuscular fisiológica.

Neste caso passaremos para uma ortodontia tridimensional, onde os dentes são erupcionados para a nova posição neuromuscular fisiológica.

Uma ortodontia tridimensional precisa manter a  posição tridimensional da mandíbula em equilíbrio com os seus planos ósseos e musculares conseguidos na PRIMEIRA FASE, e sempre e quando possível manterá a Relação Fisiológica da Cabeça da Mandíbula com o Disco Articular.
E fundamental entender, que esta passagem tem que ser feita mantendo o DIO (dispositivo intraoral, conjuntamente com os diferentes aparelhos a ser utilizados para a erupção dentaria)

47 DEPOIMENTO 2

Depoimento da paciente:

Após longos três anos de fracasso procurando um tratamento para o meu problema na minha cidade, encontrei a Dra Lidia em uma simples pesquisa no Google.

Me dirigi até ela e com uma proposta completamente diferente dos demais, iniciamos de imediato o novo tratamento.

Estava em um estágio avançado, onde tinha dor de cabeça o dia todo, dores no ouvido, olho inchado (muitas vezes sem conseguir abrir), lado direito do rosto inchado também, (semelhante a uma caxumba) dores no pescoço, nas costas por completo e também no pé.

Não tinha qualidade de vida, pois sentia dores o tempo todo. Quando comecei o tratamento nos primeiros dois dias já não sentia mais dores de cabeça. Com o acompanhamento mensal, adequando conforme meu corpo pedia, já não sentia mais dores em nada e voltei a ter uma vida normal.

Hoje estou na metade da segunda fase, super ansiosa para ir até o final e a cada mês que passa me sinto cada vez melhor.

Patologia da Articulação Temporomandibular em um Paciente com Fusão Congênita de duas Vértebras Cervicais. Primeira e segunda fase. Caso clínico.

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Quando duas vértebras adjacentes estão fusionadas desde o nascimento, este conjunto de unidade vertebral é chamado de bloco vertebral congênito.

Embriologicamente é o resultado de um erro no processo normal de segmentação dos somitos (estruturas segmentadas, formada a ambos os lados do tubo neural) durante o período de diferenciação nas semanas fetais.

Devido à inexistência de um segmento móvel, as articulações livres (não fusionadas) por cima e por baixo do bloco vertebral fusionado sofrem mais stress.

Elas também podem produzir uma curvatura anormal na coluna.

Compreender a complexa inter-relação das desordens  craniomandibulares requer uma ampla compreensão, não só da anatomia e fisiologia da cabeça e pescoço, mas também da coluna vertebral. A coluna cervical é o elo flexível entre a cabeça e o tronco.

1 FOTO FRENTEPaciente de sexo masculino se apresenta na consulta com queixas de dor de cabeça, dor atrás dos olhos, principalmente do lado direito e dor na sobrancelha direita.

O paciente descreve que ao passar a ponta dos dedos na sobrancelha esquerda em direção ao lado direito ele sente dor, principalmente quando atinge o centro.

Refere dor em ambos os ombros.

1B FOTO FRENTE

Refere dor e estalos em ambas as articulações temporomandibulares.

Se queixa também de sentir crepitações nas ATMs.

Refere uma sensação de ouvidos entupidos e zumbidos bilaterais.

2 FOTO PERFIL

O paciente relata que aperta os dentes todo o dia, e também refere bruxismo noturno.

Também se queixa de dor na nuca e dor na coluna cervical.

Em sua história clínica, ele relata um acidente de carro quando tinha 12 anos de idade, também sofreu um forte golpe na boca e mandíbula.

Ele foi submetido anos após o acidente a uma cirurgia nas vértebras  L3, L4 e L5 por causa de hérnia de disco.

3 DENTESImagem da oclusão habitual do paciente antes do tratamento, no dia da consulta.

Incisivos fraturados e ausência  do canino superior do lado esquerdo.

4 OCLUSAL SUP E INFNa vista oclusal superior e inferior do paciente antes de tratamento fica  evidente o desgaste dos incisivos inferiores e a fratura dos incisivos centrais  superiores.

5 PANORAMICA Radiografia panorâmica inicial: podemos observar a ausência dos elementos dentais 18, 23, 28, 38 e 48. Extensão do seio maxilar na região de pré-molares e molares.

6 p6

Laminografia das articulações temporomandibulares do paciente antes do tratamento: podemos observar o posicionamento superior e posterior do processo articular do lado direito na cavidade articular e o posicionamento posterior e inferior do processo articular do lado esquerdo na cavidade articular quando a mandíbula encontra-se em posição de intercuspidação máxima.

Na posição de abertura máxima, observa-se angulação anterior dos processos articulares. A angulação é mais significativa do lado esquerdo. Aplainamento da superfície posterior dos processos articulares.

7 frontalRadiografia frontal do paciente antes do tratamento.

8 perfilRadiografia lateral em conjunto com a imagem do perfil do paciente, antes do tratamento.

9 C7Radiografia lateral e da coluna cervical do paciente antes do tratamento.

A seta marca a FUSÃO  DAS VÉRTEBRAS CERVICAIS C3 e C4

Quando duas vértebras adjacentes estão fusionadas desde o nascimento, este conjunto de unidade vertebral é chamado de bloco vertebral congênito.

Embriologicamente é o resultado de um erro no processo normal de segmentação dos somitos (estruturas segmentadas, formada a ambos os lados do tubo neural) durante o período de diferenciação nas semanas fetais.

Devido à inexistência de um segmento móvel, as articulações livres (não fusionadas) por cima e por baixo do bloco vertebral fusionado sofrem mais stress,

Elas também podem produzir uma curvatura anormal na coluna.

9A 1 RNM 1 

RNM TI : sequência de cortes sagitais da ATM esquerda em boca fechada.

Podemos observar que apesar da angulação anterior dos processos articulares, (por sequela de  traumatismo na primeira infância) o disco está posicionado na cabeça do côndilo mandibular. Note a conservação da saúde dos elementos moles, mesmo assim existe  compressão dos elementos retro discais a nível do angulo da flexão do colo do côndilo mandibular.

9A 1 RNM 2 

RNM TI : sequência de cortes sagitais da ATM esquerda em boca fechada.

Podemos observar que apesar da angulação anterior dos processos articulares, (por sequela de  traumatismo na primeira infância) o disco está posicionado na cabeça do côndilo mandibular. Note a conservação da saúde dos elementos moles, mesmo assim existe  compressão dos elementos retro discais a nível do angulo da flexão do colo do côndilo mandibular.

9A 2 RNM 1

RNM TI : sequência de cortes sagitais da ATM direita em boca fechada.

Podemos observar que apesar da angulação anterior dos processos articulares, (por sequela de  traumatismo na primeira infância) o disco está posicionado na cabeça do côndilo mandibular. Note a conservação da saúde dos elementos moles, mesmo assim existe  compressão dos elementos retro discais a nível do angulo da flexão do colo do côndilo mandibular.

9A 2 RNM 2

RNM TI : sequência de cortes sagitais da ATM direita em boca fechada.

Podemos observar que apesar da angulação anterior dos processos articulares, (por sequela de  traumatismo na primeira infância) o disco está posicionado na cabeça do côndilo mandibular. Note a conservação da saúde dos elementos moles, mesmo assim existe  compressão dos elementos retro discais a nível do angulo da flexão do colo do côndilo mandibular.

9A 3 RNMRessonância nuclear magnética da ATM esquerda e direita em boca aberta em TI.

Na posição de abertura máxima, observa-se melhor a angulação anterior dos processos articulares. Angulação mais significativa do lado esquerdo.

9A 4 RNM

Ressonância nuclear magnética da ATM esquerda e direita em boca fechada. Corte frontal ou coronal  em TI.

10 AB E FECH

Registro cinesiógrafico inicial: perda importante da velocidade quando o paciente abre e fecha a boca. Não há coincidência entre as trajetórias de abertura e fechamento na vista sagital do registro. Traçado muito vertical na vista sagital típico das sobremordidas.

11 REGISTRO DE MORDIDAPara avaliar corretamente a relação maxilo-mandibular devemos começar a considerar a posição fisiológica de repouso mandibular.

Repouso fisiológico é um conceito aplicável para todos os músculos do corpo. A musculatura estomatognática não é exceção.

Os músculos mastigatórios do paciente foram desprogramados eletronicamente e uma nova posição neurofisiológica de repouso foi registrada.

O registro mostra um espaço livre patológico de 11,8 mm e uma retroposição de 2 mm.

Lembrar que o as angulações do côndilo mandibular, provocadas por traumatismo na primeira infância, provocam uma perda no crescimento vertical e uma compressão a nível do ângulo da flexão do côndilo mandibular.

Clique aqui para ler mais sobre traumatismos na primeira infância e as fraturas em talo verde do côndilo mandibular  

12 DENTES ORTESECom esses dados obtidos após a desprogramação eletrônica mandibular e o registro cinesiográfico, construímos um DIO (dispositivo intraoral) para manter tridimensionalmente a posição registrada. Este dispositivo deve ser testado para mensurar e avaliar objetivamente o paciente.

13 CONTROLE ORTESERegistro cinesiógrafico de controle do DIO (dispositivo intraoral). Trajetórias neuromusculares coincidentes e espaço livre inter-oclusal de 2,4 mm

Estes controles  DEVEM SER PERIÓDICOS DURANTE A PRIMEIRA FASE DO TRATAMENTO e também durante a SEGUNDA FASE DO TRATAMENTO.
Nas publicações dos casos clínicos na PAGINA DE ESTUDOS E INVESTIGAÇÃO DA ATM  coloco uma seleção mínima da sequencia dos registros obtidos durante o tratamento.
É importante lembrar que durante o tratamento neurofisiológico o paciente é medido e controlado durante todo o percurso.

9A 1 RNM

O paciente apresentava  problemas de localização tridimensional do côndilo mandibular.

Mesmo que estruturalmente os côndilos mandibulares tenham sofrido mudança do eixo de crescimento devido a traumatismo na primeira infância, eles não apresentavam lesões que impedissem, após a melhora da localização tridimensional da mandíbula, iniciar a SEGUNDA FASE DO TRATAMENTO.

9A 2 RNM
Neste caso clínico decidi NÃO solicitar uma segunda ressonância nuclear magnética, já que não era necessário controlar a medular do côndilo mandibular, pois não apresentava lesões nem problemas no complexo côndilo e disco articular.

O paciente apresentava remissão da sintomatologia, o que nos permitiu passar para a SEGUNDA FASE DO TRATAMENTO NEUROFISIOLÓGICO.

15 sequencia 1Na  imagem superior podemos de cima para abaixo observar:

Oclusão inicial do paciente antes do tratamento;

Oclusão do paciente com o DIO ( dispositivo intraoral);

Início da ortodontia tridimensional, SEMPRE COM O DIO (dispositivo intraoral) construído em posição neurofisiológica. Instalação de um expansor removível superior.

16 B sequencia

Sequência de imagens da ortodontia tridimensional com o expansor e a movimentação do primeiro pré-molar superior do lado esquerdo para a instalação de um implante dentário.

17 sequencia

Sequência de imagens da ortodontia tridimensional neste caso clínico específico.

17B sequencia

Sequência de imagens acima da ortodontia tridimensional neste caso clínico específico e instalação do implante dentário, devido à ausência do canino superior do lado esquerdo.

18 sequenciaOs incisivos superiores foram reabilitados com resinas para recuperar a estética e funcionalidade do paciente.

19 PANORAMICA NO TRATRadiografia panorâmica de controle: implante colocado durante a ortodontia tridimensional no percurso do tratamento neurofisiológico. O DIO, (dispositivo intraoral) em posição neurofisiológica permanece instalado em boca durante toda a SEGUNDA FASE.

20 RESINAS INFERIORES

Os incisivos inferiores foram reabilitados com resinas para recuperar a estética e funcionalidade do paciente.

A erupção ativa dos setores posteriores foi concluída finalizando a segunda fase.

Neste caso clínico específico não foi documentada a  sequência de erupção ativa em imagens. Para os leitores que quiserem relembrar a erupção ativa na ortodontia tridimensional recomendo entrar neste link.

22 DENTES FINALOclusão do paciente após o tratamento neurofisiológico. Primeira e segunda fase terminada.

23 DENTES FINAL COMPARATIVOSImagens comparativas da oclusão do paciente antes e após o tratamento neurofisiológico.

24 OCLUSAIS FINAIS

Vista oclusal superior e inferior  do paciente após o tratamento neurofisiológico.

25 OCLUSAIS FINAIS COMPARATIVAS

Imagens comparativas da vista oclusal superior e inferior  do paciente antes e após o tratamento neurofisiológico.

26 PANORAMICAfinalRadiografia panorâmica  após a primeira e segunda fase do tratamento neurofisiológico.

26A PANORAMICACOMPARATIVASRadiografias panorâmicas comparativas: antes do tratamento, durante o tratamento e após a finalização da ortodontia tridimensional e reabilitação neurofisiológica.

27 laminograpfia finalLaminografia do paciente  após a primeira e segunda fase do tratamento neurofisiológico.

30 COMPARAÇAO PERFISRadiografias laterais comparativas do paciente: antes e após o tratamento neurofisiológico.

31 COMPARAÇAO C7Radiografia lateral e da coluna cervical comparativas do paciente antes da PRIMEIRA FASE e na finalização da ORTODONTIA  TRIDIMENSIONAL e  REABILITAÇÃO NEUROFISIOLÓGICA.

Neste caso não podemos mudar uma fusão congênita das vertebras cervicais, mas se entendermos que existem cadeias miofasciais que conectam a ATM ao resto do corpo, então poderemos, melhorando a localização tridimensional mandibular, ajudar o sistema. Logicamente, o sistema é um todo e dependendo de cada caso clínico precisaremos da colaboração de profissionais especialistas nas diferentes áreas da saúde.

32 COMPARAÇAO IMAGEM FRONTAL Imagens frontais comparativas do paciente: antes e após o tratamento neurofisiológico.

32 COMPARAÇAO PERFILImagens de perfil comparativas do paciente: antes e após o tratamento neurofisiológico.

32 DEPOIMENTO INICIALTempos atrás, em busca de um tratamento ortodôntico para meu primeiro filho, conheci a Clinica My. Na época, minha prioridade era de fato buscar uma solução de correção a um problema de dentição inclusa do meu filho.

Passadas algumas consultas, conheci a Dra. Lídia, que já em nossas primeiras e breves conversas, e em função de algumas queixas, diagnosticou que eu, muito mais que meu filho, tinha problemas ligados a disfunções na ATM e precisava buscar tratamento…

Naquela ocasião eu tinha diversos problemas de dentição, tais como: desgastes nos dentes inferiores e superiores e ponta de dentes quebrados, estalos na mastigação etc…

34 DEPOIMENTO FINAL

Eu tinha muitas dores de cabeça, dores na base da nuca e atrás dos olhos, nas costas e ombros… Sentia também uma sensação de dor em minha sobrancelha direita quando passava minha mão na testa, era de fato algo muito desconfortável e estranho.

Felizmente isso é coisa do passado. Graças ao diagnóstico preciso da Dra. Lídia e ao tratamento, que segui rigorosamente a risca, hoje já estou livre destes males.

Eu gostaria também de agradecer o cuidadoso trabalho do Dr. Luis Daniel durante todo o processo do tratamento e a atenção e o carinho que me foi dado por toda a equipe da Clinica My.

33 FINAL