Osteonecrose da Cabeça da Mandíbula: recuperação da alteração da medular óssea.

Eu tenho exposto casos clínicos na página lidiayavich.com  e em vários grupos. Alguns deles com a reabilitação e com ortodontia tridimensional, sempre após o tratamento da ATM ( articulação temporomandibular).

Neste post eu não vou mostrar toda a sequência do paciente. Tenho a intenção de mostrar a melhoria do sinal da MEDULAR DO CÔNDILO que apresentava osteonecrose.

A anamnese e o exame clínico são uma parte fundamental no diagnóstico do paciente que apresenta patologia da ATM.

As imagens são primordiais quando estudamos qualquer articulação sinovial. Infelizmente, eu vejo pacientes com informações valiosas em suas imagens que foram informados de que essas são descobertas apenas ocasionais.

A ressonância nuclear magnética (RNM) pode dar muitas informações e não apenas a posição do disco. Logicamente é necessário saber o que fazer com essas informações.

Osteonecrose da cabeça da mandíbula corresponde à morte do tecido ósseo, também chamada de necrose avascular. 

A alteração na medular óssea do côndilo mandibular é uma possível fonte de dor da ATM.

RNM: T1 corte sagital, ATM direita antes do tratamento

A necrose avascular na fase aguda pode ser diagnosticada apenas através de ressonância magnética ou biópsia.

O diagnóstico diferencial da alteração da intensidade do sinal do côndilo mandibular começa com o conhecimento das características normais do sinal da medular.

O côndilo mandibular também apresenta uma irregularidade severa no seu polo superior,com perda de substância, mas neste post quero analisar o sinal da medular óssea. Logicamente ,em um diagnóstico temos que levar em conta toda a informação.

RNM: TI corte sagital, ATM direita, antes do tratamento

 A necrose avascular ocorre quando o fluxo de sangue para um osso é interrompido ou reduzido. Pode ser causada por várias condições, como lesão articular ou óssea, pressão no interior do osso e outras condições médicas.

O côndilo afetado por necrose avascular apresenta baixo sinal nas imagens ponderadas em T1 como resultado de alterações edematosas no osso trabecular.

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RNM: T2 corte sagital, ATM direita antes do tratamento

O diagnóstico diferencial das efusões na ATM tem um amplo espectro como as efusões em outras articulações em outras regiões do esqueleto.

A RNM (ressonância nuclear magnética) pode nos proporcionar muitas informações e não apenas a posição do disco. Neste caso, o PACIENTE NÃO TEM DISCO ARTICULAR.

2AAO mesmo corte sagital do côndilo em T1 e T2. Imagem A mostrando a osteonecrose da cabeça da mandíbula e imagem C mostrando o derrame articular.

A paciente queixava-se de dor intensa na ATM, dor de cabeça e dor na parte de trás do pescoço.

A paciente tem uma história de um importante trauma na mandíbula na adolescência. Teve febre reumática na infância.

Encaminhamos a paciente para um reumatologista, e naquele momento ela não  apresentou resultados positivos para doença inflamatória sistêmica.

Os músculos mastigatórios da paciente foram eletronicamente desprogramados e um DIO (dispositivo intraoral) foi construído em posição neurofisiológica. Em outras publicações mencionamos os métodos cineciográficos computadorizados utilizados.

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Comparando imagens ponderadas em T1: A (antes do tratamento) e B (após o tratamento): podemos ver a melhora e a recuperação do sinal medular. Melhoria da cortical superior da cabeça mandibular.

O diagnóstico diferencial e a condição sistêmica do paciente devem ser considerados para o prognóstico do caso.2B

Comparando as imagens ponderadas em T2: C (antes do tratamento) e D (após o tratamento). É nítido na primeira imagem (C) o sinal inflamatório e na outra imagem (D) a remissão do derrame.

Sem Título-10

Comparando as imagens  ponderadas em T1 (A e B), onde podemos ver a melhoria e recuperação do sinal medular e a cortical superior da cabeça mandibular. Em T2 (C e D) é nítido (en C) o  sinal inflamatório e na outra (D) a remissão do derrame.

Sem Título-6

Um ano após a segunda imagem, um novo controle foi solicitado, e os resultados foram ainda melhores.

Neste caso, eu decidi NÃO PROSEGUIR para uma segunda fase. O diagnóstico é essencial para cada caso. A odontologia precisa entender como a Medicina o faz, que temos limitações e se um paciente precisa viver com um DISPOSITIVO INTRAORAL não é o fim do mundo.

Temos pacientes que vão viver com insulina toda a sua vida, ou com outros medicamentos que estão salvando suas vidas, ou melhorando a  qualidade das mesmas.

Portanto, o diagnóstico é essencial e todas as ferramentas que podem ajudar a chegar lá são bem vindas.